domingo, 11 de dezembro de 2011

Paro tudo o que estou fazendo, desligo o som, corro atrás do primeiro papel e da primeira caneta que eu achar, me preparo, e nada. Mais um alarme falso. 
Tenho passado noites mal dormidas. Faço um esforço sobrenatural pra me ouvir, mas não tem nada. Não é como se estivesse tudo vazio, tudo ecoando pelos cantos. É simplesmente o silêncio. O lado de fora aqui, fica quieto, esperando o de dentro falar, berrar, gritar, jogar, mas não tem nada. Silêncio. Tudo tão silencioso quanto os meus 365 dias. 
Se eu me concentrar bastante, consigo ouvir aquela respiração cansada e pesada bem lá no fundo desse mar de silêncio todo. Cansaço, desgaste, silêncio. Não se tem mais nada que se possa falar pra mim mesma. O único som que eu escuto, com total clareza, é meu coração batendo. Ele, que já está tão cinza, tão branco e preto, ele que sofre um dia, mas no outro já tenta desesperadamente dar um jeito de se regenerar, por um curativo ali, dar uns pontos aqui, e ficar pronto pra próxima. Porque haverá próxima e isso, ele já sabe de cor. 
Não sei com precisão aonde foi que eu fiquei assim, em qual dos quilômetros do caminho eu deixei meu saquinho de esperanças ou em qual parte eu deixei meu potinho de fé. Mas, o que quer que tenha sido, deixou um vazio em seu lugar e a certeza de que eu preciso de uma vitória, pra quebrar o colar de perdas que eu carrego....

Um comentário:

Paulo Roberto Gaefke disse...

Profundamente profundo como diria o velho Profeta Malaquias da Silva...mas, tem algo que não bate, uma conta que não fecha...em cada letra digitada lemos um nome, parece quase um grito de socorro e se a pessoa certa lesse e se colocasse a mão na consciência diria: Caraca: sou eu!
Quem sabe o tempo, senhor de todas as matérias, traga-lhe um novo caderno, onde possa escrever novas lições da velha matéria do amor. É o que eu sinceramente lhe desejo, enquanto a dor não passa e a ausência ainda se faz tão presente.
Paulo Roberto Gaefke